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Este trecho retirado do livro Psicogênese da Língua
Escrita mostra como pode ser diferente do tradicional o enfoque
dado ao processo de alfabetização. Mostra que a alfabetização
não é somente armazenamento de informação
sobre o código para uma possível "decifração".
O processo de aquisição da língua escrita é
muito mais conceitual do que informativo. A criança constrói
seu conhecimento internamente e não, como muitos creêm,
que seu conhecimento é um processo de interiorização
de informações externas.
Quando a criança
chega na escola pela primeira vez, seja com dois anos de idade,
ela já traz consigo conhecimentos próprios sobre várias
coisas, entre elas a língua escrita. Ela NÃO está
começando tudo do ZERO. Precisamos é observar o que
ela está pensando e como o está fazendo, para a partir
daí podermos auxiliá-la na sua jornada rumo ao "entendimento"
do código.
Os indivíduos quando chegam à escola trazem uma bagagem
de conhecimentos bem vasta. Cada um traz uma bagagem de acordo com
sua vivências, mas todos vêm munidos dela. As diferenças
em relação ao momento conceitual no processo de alfabetização
remetem as diferenças cognitivas, afetivas e sociais de cada
um. O trabalho escolar é avaliar estas diferenças
e trabalhar com elas de forma a que cada indivíduo possa
caminhar evolutivamente no seu processo de alfabetização
acrescentando novas experiências as anteriores. |

A alfabetização tem seu peso na classe de alfabetização.
No entanto, não se considera que a alfabetização
comece e termine na classe de alfabetização. Esta
é considerada um processo de aprendizagem onde ocorrem aquisições
conceituais e de informações, que começam assim
que a criança inicia sua interação com a língua
escrita e não existe um marco (cronológico) definido
para seu término. As atividades percepto-motoras não
são consideradas pré-requisito para a alfabetização;
são atividades paralelas à alfabetização
sem uma relação de dependência entre ambas.
Um trabalho de alfabetização baseado nos estudos de
Ferreiro e Teberosky deve ter por objetivo principal oferecer à
criança o maior número de vivências possíveis
com a língua escrita para que ela possa ter um material de
qualidade para atuar cognitivamente, construindo assim sua alfabetização.
Algumas dicas:
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Oferecer
bastante material escrito, trabalhando principalmente com os
nomes |
| próprios
das crianças para que evolua de uma hipótese conceitual
a outra. |
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Informar a criança qual é a direção
e o sentido da escrita, quais são as letras do |
| alfabeto,
ensinar algumas regras ortográficas quando a criança
perguntar, etc. |
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